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História de Portugal Versão para impressão

Cerca de 400 a.C. – A região que hoje corresponde ao Norte de Portugal e à Galiza começa a ser invadida pelos Celtas, povo oriundo do centro e leste europeu que rapidamente se mistura com os povos autóctones da Península Ibérica, dando origem aos celtiberos.

194 a.C.- 138 a.C. – Conflito prolongado de resistência das tribos lusitanas face à invasão do território por tropas romanas. Nestes confrontos destacou-se um grupo de Lusitanos liderados por Viriato (179 a.C.–139 a.C.), chefe eleito por aclamação. Este grupo infligiu várias derrotas às tropas romanas, tornando-se um mito da resistência peninsular à ocupação romana.

409 d.c. - Os povos bárbaros, compostos principalmente por Suevos, Vândalos e Visigodos, todos de origem germânica, além dos Alanos, de origem persa, fixaram-se na Hispânia. De todos estes povos, os Suevos e os Visigodos foram aqueles que tiveram uma presença mais duradoura no território que é hoje Portugal.

711 – A Península Ibérica foi invadida pelos muçulmanos do Norte de África (principalmente de origem berbere), obrigando os Visigodos a refugiar-se principalmente nas Astúrias. Anos mais tarde, tem início a chamada “Reconquista Cristã”: um longo processo de lutas, considerado por alguns como parte do movimento das cruzadas.
Durante cinco séculos, de 711 a 1249, o espaço do Portugal de hoje esteve dividido entre muçulmanos e cristãos, com avanços e recuos de parte a parte, mas com uma fronteira situada gradualmente mais a sul.

1096 – D. Henrique de Borgonha, um nobre francês que viera auxiliar o Rei de Leão na luta contra os muçulmanos e a quem D. Afonso VI já oferecera a mão de sua filha D. Teresa (1094), recebe como feudo um território situado entre os rios Minho e Mondego a que foi chamado “Condado Portucalense” (do topónimo Portucale, com o qual desde o século IX se designava uma cidade situada na foz do rio Douro, Portus Cale, actual cidade do Porto). A D. Afonso VI ficava o Conde D. Henrique ligado por laços de vassalagem, tendo fixado residência na cidade de Guimarães.

1112 – Morre o Conde D. Henrique, passando D. Teresa a governar o Condado Portucalense durante a menoridade de seu filho, Afonso Henriques. D. Teresa começa a intitular-se «Rainha», mas os conflitos com o alto clero e sobretudo a intimidade com Fernão Peres, fidalgo galego a quem entregara o governo dos distritos do Porto e Coimbra, trouxeram-lhe a revolta dos Portucalenses e do próprio filho, sistematicamente afastados, por estranhos, da gerência dos negócios públicos.

1125 – Aos 14 anos de idade, o jovem Afonso Henriques arma-se a si próprio cavaleiro, segundo o costume dos reis.

1128 – Trava-se a batalha de S. Mamede (Guimarães) entre os partidários do Infante Afonso Henriques e os de sua mãe. Esta é vencida e D. Afonso Henriques assume os destinos do ainda Condado Portucalense.

1143 – D. Afonso Henriques é reconhecido como Rei de Portugal, rompendo os laços de vassalagem com o seu primo, o Imperador Afonso VII de Leão. A conquista de vários territórios aos Mouros permite-lhe ampliar as fronteiras meridionais do reino; Lisboa é conquistada em 1147.

1179 – O Papa Alxandre III concede a Bula Manifestis Probatum, na qual reconhece D. Afonso Henriques como Rei de Portugal e atribui esse título também aos seus sucessores.

1249 – Conquista definitiva do Algarve, marcando o fim da ocupação muçulmana em Portugal. Nesta data ficaram definidos os limites do país, quase totalmente inalterados até hoje.

1290 – D. Dinis funda a Universidade de Coimbra, a mais antiga universidade portuguesa e uma das mais antigas da Europa em funcionamento contínuo.

1383-1385 – Crise da Independência desencadeada pelo problema de sucessão ao trono português perante a possibilidade de subida ao trono de D. Beatriz, mulher de Juan I de Castela. A crise terminaria com a assinatura da paz de 1411, depois da aclamação do Mestre de Aviz como Rei de Portugal com o nome de D. João I e da vitória que obteve sobre os castelhanos na batalha de Aljubarrota em 1385.

1394 – Nasce no Porto o Infante D. Henrique, príncipe português filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre e uma das mais importante figuras do período inicial das Descobertas. Fundador da “Escola Náutica de Sagres”, ficou também conhecido como Infante de Sagres ou Henrique, o Navegador.

1415 – Conquista de Ceuta por D. João I seus filhos. Inicia-se a expansão portuguesa na costa ocidental africana.

1419 – Descoberta da Ilha da Madeira.

1427 – Descoberta dos Açores (ilhas de S. Miguel e Santa Maria).

1488 – Travessia do Cabo da Boa Esperança (Bartolomeu Dias, 1488).

1498 – Descobrimento do caminho marítimo para a Índia (Vasco da Gama, 1498) .

1494 – Assinatura do Tratado de Tordesilhas, que dividiu o “Novo Mundo” em duas zonas de influência, portuguesa e espanhola, segundo uma linha de meridiano.

1500 – Chegada às costas do Brasil (Pedro Álvares Cabral, 1500).

1580 – Felipe II de Espanha, neto de D. Manuel I, sucede ao trono português, vago desde a morte de D. Sebastião sem descendentes e posterior falecimento do Cardeal-Rei D. Henrique. Inaugura-se uma monarquia dual: dois reinos distintos – Portugal e Espanha – na pessoa do mesmo monarca– Felipe II de Espanha e I de Portugal.

1640 – Não satisfeitos com a solução, os portugueses restauram a independência, sendo proclamado rei de Portugal o Duque de Bragança com o nome de D. João IV. A Guerra da Restauração entre Portugal e Espanha prolonga-se durante cerca de 20 anos até ao reconhecimento por parte de Madrid da independencia de Portugal em 1668.

1689 – Nasce D. João V (1689-1750), monarca absoluto cujo reinado correspondeu em Portugal ao período áureo do barroco, com manifestações artísticas na arquitectura, mobiliário, talha, azulejo e ourivesaria. O seu reinado coincide com o ciclo de maior produção de ouro e diamantes do Brasil. Fundou a Real Academia Portuguesa de História, introduziu a ópera italiana em Portugal e mandou construir o Palácio Nacional de Mafra.

1755 – Lisboa é destruída por um terramoto (1 de Novembro).

1750-1777 – O Marquês de Pombal, Primeiro-Ministro de D. José I e adepto do despotismo esclarecido, ordena a imediata reconstrução da cidade de Lisboa e empreende vasta obra reformadora: desenvolvimento das indústrias, protecção do comércio, reforma da Universidade. Para além disso, determinou a expulsão dos Jesuítas e a abolição da escravatura na metrópole.

1807-1810 – A recusa de Portugal em romper a aliança com a Inglaterra e participar no bloqueio continental decretado por Napoleão, provoca a invasão do país. Três expedições sucessivas comandadas por Junot (1807), Soult (1809) y Massena (1810) são derrotadas pelas forças anglo-lusas. Em Novembro de 1807, o rei D. João VI decidiu transferir a corte portuguesa para o Brasil, evitando ser aprisionado com toda a família real e o Governo e tornando possível manter a independência portuguesa a partir do Rio de Janeiro. Foi a primeira vez que um monarca europeu pisou solo americano e a primeira vez que a capital de um Império colonial foi transferida da metrópole para uma das colónias.

1820-1834 – Revolução Liberal. D. Joao VI regressa do Brasil e jura a Constituição liberal (1822). Simultaneamente o Brasil torna-se independente (7 de Setembro de 1822). Seus filhos D. Pedro, imperador do Brasil (liberal) e D. Miguel (absolutista) desencadeiam uma guerra civil que só terminará em 1834 com a vitória dos liberais.

1867 – É abolida a pena de morte para todos os crimes não militares (para este tipo de crimes a pena de morte foi abolida em 1911). Portugal foi assim o terceiro país da Europa e do Mundo a abolir a Pena Capital, após a República Romana, em 1849, e o Principiado de S. Marino em 1852, e o primeiro do Mundo a prevê-lo na Lei Constitucional.

1869 – Abolição da escravatura em todas as colónias portuguesas.

1908 – Morre assassinado em Lisboa o Rei D. Carlos (1 de Fevereiro).

1910 – Proclamação da República (5 de Outubro). D. Manuel II, último Rei de Portugal, abdica e exila-se em Inglaterra, onde morre sem descendência. Manoel de Arriaga torna-se o 1º Presidente da República.

1910-1926 – A Constituição republicana é adoptada em 1911, estabelecendo entre outras opções de fundo, a separação da Igreja e do Estado. Portugal participa na I Guerra Mundial (1916), enviando tropas para França e para África (Angola e Moçambique).

1911 – Pela primeira vez uma mulher exerce o direito de voto (28 de Maio), aproveitando uma omissão da lei: nessa altura podiam votar os chefes de família, não sendo referido o sexo. Carolina Beatriz Ângelo, médica, viúva e com uma filha a cargo, na qualidade de chefe de família, pede para ser incluída nos cadernos eleitorais, o que lhe é recusado por ser mulher. Interpõe recurso e ganha, tornando-se, assim, a primeira mulher a votar em Portugal. Como consequência, o código eleitoral de 1913 negou explicitamente o direito de voto às mulheres. Em 1931, o direito de voto é concedido às mulheres com o Curso dos Liceus. Em 1934, nas eleições legislativas, foram eleitas pela primeira vez mulheres para a Assembleia Nacional. Em 1946 é aprovada nova lei eleitoral, mais alargada que a de 1931, mas continuando a exigir ainda requisitos diferentes para os homens e para as mulheres. Só com a Revolução de 25 Abril de 1974 o sufrágio se torna verdadeiramente universal: passam a poder votar todos os homens e todas as mulheres maiores de 18 anos.

1926 - 1974 – Período da Ditadura Militar e do Estado Novo. A difícil situação interna provoca um golpe militar (1926) dirigido pelo General Gomes da Costa. É dissolvido o Parlamento e proíbem-se os partidos políticos. Oliveira Salazar é nomeado Ministro das Finanças (1928) e depois (1932) Presidente do Conselho de Ministros, cargo no qual permanece até 1968. A Constituição de 1933, base do regime designado por “Estado Novo”, restringia as liberdades públicas, instituindo uma República corporativa que não contemplava a existência de partidos políticos.

1939-1945 – Portugal mantém-se neutro durante a Segunda Guerra Mundial.

1949 – Portugal, membro fundador da NATO; Egas Moniz, médico e antigo Embaixador em Espanha, recebe o Prémio Nobel da Medicina.

1955 – Portugal é admitido como membro da ONU.

1961 – A União Indiana anexa o chamado Estado Português da Índia (Goa, Damão e Diu). Início da Guerra Colonial em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, que durará até 25 de Abril de 1974, caracterizada por confrontos armados entre as Forças Armadas Portuguesas e movimentos pró-independência – Angola (MPLA, UNITA y FLA), Moçambique (FRELIMO) y Guiné-Bissau (PAIGC).

1968 – Oliveira Salazar sofre um acidente vascular-cerebral e é afastado do cargo pelo Presidente da República, Almirante Américo Tomás. Em sua substituição é nomeado Marcello Caetano, que permanecerá no cargo até 25 de Abril de 1974. O “consulado” de Caetano correspondeu à chamada “Primavera Marcelista”, período caracterizado por uma tímida abertura política e algum abrandamento da censura no domínio das liberdades cívicas. No entanto, não houve inflexões de fundo quanto à política de defesa das colónias seguida por Salazar.

1974 – O Movimento das Forças Armadas (MFA) desencadeia uma operação militar que põe fim ao regime anterior (25 de Abril). É formada uma “Junta de Salvação Nacional” constituída por militares, a fim de assegurar a transição política do país até à realização de eleições livres e tomada de posse do primeiro Governo civil democraticamente eleito. Esta “ Junta”, inicialmente presidida pelo General António de Spínola, que assumia as funções de Presidente da República, esteve em funcionamento entre 1974 e 1976.

1974-1975 – Independência da Guiné-Bissau, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Moçambique e Angola.

1975 – Eleições para a Assembleia Constituinte - primeiras eleições livres (25 de Abril).

1976 – Aprovação da nova Constituição, que instaurou um regime de democracia parlamentar de tipo semi-presidencial. Ramalho Eanes é eleito Presidente da República.

1979 – Maria de Lourdes Pintasilgo toma posse como Primeira-Ministra do V Governo Constitucional (7 de Julho de 1979 a 3 de Janeiro de 1980), tornando-se a primeira (e até agora única) mulher a ocupar o cargo em Portugal e a segunda em toda a Europa, a seguir a Margaret Thatcher.

1985 – Na sequência da vitória do PPD-PSD nas eleições legislativas, Aníbal Cavaco Silva torna-se Primeiro-Ministro de Portugal, exercendo o cargo durante 10 anos (de 6 de Novembro de 1985 a 28 de Outubro de 1995). Foi o Primeiro-Ministro que mais tempo se manteve até agora em funções desde o 25 de Abril, conquistando as primeiras duas maiorias absolutas da democracia portuguesa.

1986 – Portugal torna-se membro da Comunidade Económica Europeia (1 de Janeiro). Mário Soares é eleito Presidente da República.

1992 – Primeira Presidência portuguesa do Conselho de Ministros da União Europeia (1 de Janeiro a 30 de Junho).

1995-1996 – Diogo Freitas do Amaral, antigo Vice-Primeiro Ministro, Ministro dos Negócios Estrangeiros e Ministro da Defesa em vários Governos desde o 25 de Abril, ocupa a Presidência da Assembleia-Geral das Nações Unidas.

1996 – Jorge Sampaio é eleito Presidente da República.

1998 – É inaugurada a Ponte Vasco da Gama, à data a maior ponte da Europa. Abre a Exposição Internacional de Lisboa - Expo 98 (22 de Maio a 30 de Setembro), subordinada ao tema “Os oceanos: um património para o futuro”. José Saramago, autor de obras como “Memorial do Convento”, “O Ano da Morte de Ricardo Reis” ou “Ensaio sobre a Cegueira” é distinguido com o Prémio Nobel da Literatura.

1999 – Macau, território administrado por Portugal durante mais de 400 anos, é entregue à República Popular da China (20 de Dezembro de 1999).

2000 – Segunda Presidência portuguesa do Conselho de Ministros da UE (1 de Janeiro a 30 de Junho). No Conselho Europeu de 23 e 24 de Março é adoptada a Estratégia de Lisboa.

2002 – Introdução do Euro (1 de Janeiro); sob o patrocínio diplomático de Portugal, é reconhecida a independência de Timor-Leste, antiga colónia portuguesa invadida pela Indonésia em 1975 (20 de Maio) e oficialmente sob administração portuguesa até 2002.

2004 – José Manuel Durão Barroso, antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros (1992-1995) e Primeiro-Ministro (Abril de 2002–Junho de 2004), torna-se o primeiro Presidente português da Comissão Europeia (23 de Novembro).

2005 – O Partido Socialista vence as eleições legislativas com maioria absoluta (20 de Fevereiro) e José Sócrates torna-se Primeiro-Ministro de Portugal (12 de Março); António Guterres, antigo Primeiro-Ministro (Outubro de 1995 - Abril de 2002), toma posse como Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (15 de Junho).

2006 – Aníbal Cavaco Silva, antigo Primeiro-Ministro, toma posse como o 19º Presidente da República de Portugal (9 de Março). Em Maio, Jorge Sampaio, antigo Presidente da República (1996 – 2006), é designado pelo Secretário-Geral da ONU « Enviado Especial para a Luta Contra a Tuberculose », e em Abril do ano seguinte “Alto Representante para a Aliança das Civilizações”, também pelo SG da ONU, cargos que presentemente ainda ocupa.

2007 – Terceira Presidência portuguesa do Conselho de Ministros da UE (1 de Julho a 31 de Dezembro); Assinatura Tratado de Lisboa (13 de Dezembro).